O velho génio

Um génio foi despertado do seu sono.

Alguém esfregou a sua lâmpada.

Saíndo da lâmpada o génio encontrou uma rapariga.

"Uau! É mesmo verdade! Um génio!"

O génio olhou para a rapariga e disse:

"Sim, sou o génio da lâmpada. Como te chamas?"

"Alice...Posso pedir os meus desejos?"

"Não tenhas pressa. Tem cuidado com o que pedes, é o que te vou sugerir primeiro".

"Cuidado? Porquê?"

"3141592654 anos disto mostraram-me que as pessoas não têm cuidado com o que pedem. São 3 e só três desejos.

Nenhum deles pode ser pedir mais desejos, e alguns desejos requerem algum esforço da tua parte."

"Está bem. Posso pensar algum tempo?"

"O tempo que quiseres, estou à tua disposição!"

O génio voltou para dentro da sua lâmpada.

Passado algum tempo a rapariga voltou a chamar o génio.

"Génio, já sei o que quero para o meu primeiro desejo! Quero ser rica! Quero ter Um trilião de triliões de triliões de euros na minha conta bancária!"

"Tens a certeza Alice?"

"Sim, tenho!"

O génio estalou os dedos da mão direita.

Alice consultou o saldo da sua conta no telemóvel, e sorriu!

"Obrigado! Obrigado!"

O génio olhou para ela e disse:

"Guarda a lâmpada..."

Ela sorriu e respondeu:

"Eu sei que ainda tenho dois desejos, mas dificilmente me vejo a desejar mais alguma coisa."

Passados alguns meses, o génio é chamado de novo, e vê a Alice em lágrimas.

"Que se passou?"

"Assim que comecei a gastar o dinheiro chamei a atenção das autoridades. Quando lhes disse a origem do dinheiro, não acreditaram e puseram-me na prisão."

"Podias ter-lhes mostrado a lâmpada, eu testemunharia a teu favor."

"Pois... mas nem me lembrei onde tinha deixado a lâmpada. "

"Podes mostrar agora..."

"Assim que fui presa, ninguém acreditou em mim, os meus amigos abandonaram-me, ninguém quis mais nada comigo."

"Compreendo...que posso fazer por ti agora?"

"Gostava que nada disto se tivesse passado!"

"Eu posso fazer isso, mas anular o desejo anterior, não te vai devolver o desejo."

"Não interessa!"

O génio estalou os dedos da mão esquerda... e o tempo voltou para trás, até ao dia em que Alice tinha feito o primeiro desejo.

Alice olhou para o génio...

"Bonito truque. Acho que já sei o que quero para o meu terceiro desejo..."

"Pensa bem primeiro. Viste como correram as coisas da primeira vez."

Alice sentou-se no chão.

"Não é preciso! Eu sei o que quero! Quero uma máquina de viajar no tempo!".

Saíu uma lágrima do olho direito do génio...

Ele bateu o pé, e apareceu uma máquina do tempo à frente de Alice.

Ela olhou para o génio, e agradeceu sorrindo.

Assim que acabou de agradecer, a lâmpada e o génio desapareceram.

Alice foi ao futuro descobrir os números do Euromilhões, regressou e preencheu um euromilhões. Desta vez ficou rica e ninguém questionou a origem do dinheiro. Mas sempre que alguma coisa corria mal, Alice recuava no tempo e tentava corrigir, esquecendo que para ela, o tempo passava.

Um dia, Alice foi ao médico que achou estranho ela aparentar ser 30 anos mais velha do que devia.

Saindo do médico, Alice chorou, e viajou até ao futuro longíquo, na esperança que tivessem descoberto a cura para a velhice.

Chegando ao ano 4000, percebeu que já ninguém falava o seu idioma. Mas notou que haviam muitos idosos. Portanto, não deviam ter descoberto ainda.

Pensou um bocadinho e decidiu recuar no tempo até aos dias em que ainda tinha o génio, mas a máquina teimava em não deixar.

De repente, entrou-lhe uma mensagem no telemóvel.

Alice estranhou. Dentro da máquina do tempo nunca havia rede.


"Eu disse-te para teres cuidado com o que pedes, mas não quiseste me ouvir. No primeiro dia, perguntei o teu nome, mas nunca perguntaste o meu. Viste-me apenas como uma máquina de conceder desejos e nunca como uma pessoa, como todos os meus mestres anteriores. Percebi que isto podia acontecer, e escrevi esta mensagem. Não posso conceder-te mais desejos, mas posso dizer que gostei dos poucos momentos em que estivemos juntos. Génio".


Alice viajou no tempo várias vezes até ao dia da sua morte, mas nunca encontrou o génio, nem a cura para a velhice.






Nos dias de hoje, é fácil pensar nas pessoas como seres que apenas têm a função de servir. De ignorar os avisos de quem já testemunhou histórias semelhantes. De ter a ilusão de que somos assim tão diferentes dos outros.

Já houveram e haverão sempre muitas Alices.

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